Empatia a los Hermanos
Às vezes, a dor faz menos barulho do que deveria.
Ela atravessa montanhas, derruba casas, silencia famílias inteiras... e, ainda assim, não atravessa a barreira da nossa rotina. Seguimos o dia, tomamos nosso café, reclamamos do trânsito e rolamos a tela do celular como se, logo ali, do outro lado do continente que chamamos de lar, não existissem vidas tentando recomeçar entre os escombros.
Não escrevo para comparar tragédias. A dor não disputa espaço. Ela apenas existe.
Mas me pergunto quando foi que aprendemos a olhar com tanta intensidade para o que acontece a milhares de quilômetros de nós e, ao mesmo tempo, nos acostumamos a desviar os olhos do sofrimento dos nossos próprios hermanos.
Talvez a empatia também tenha fronteiras. Talvez ela seja guiada pelas manchetes, pelos algoritmos ou pelas conversas que escolhemos ter. Mas gosto de acreditar que ela pode ser maior do que tudo isso.
Porque uma lágrima derramada em Caracas não pesa menos do que uma derramada em qualquer outro lugar do mundo. Um abraço interrompido continua sendo um abraço interrompido, independentemente da língua em que o silêncio é pronunciado.
Que nunca nos falte a capacidade de enxergar quem está perto. Que a solidariedade não escolha nacionalidades. E que a América do Sul deixe de ser apenas um mapa compartilhado para voltar a ser aquilo que sempre deveria ter sido: uma casa onde a dor de um irmão também encontra abrigo no coração do outro.
Aos nossos hermanos venezuelanos, que a esperança encontre caminho entre as ruínas. E que nós encontremos, antes de tudo, a coragem de não sermos indiferentes.
"Entre vírgulas e pontos, sempre haverá espaço para a humanidade."
— Danilo Andrade

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