Escrevi isso em 2009. Reler essas palavras hoje é como encontrar uma versão minha que ainda não sabia tudo o que eu aprenderia depois. Ou talvez soubesse… e só não queria aceitar. O que posso dizer das coisas que vejo? Nada! Sou um pedaço de mágoa indo à direção do abismo. Sei que deitas ao meu lado p ara acabar com a solidão que te cerca. Sei que sou apenas fuga para libertar suas vontades. Mas meu coração se sente feliz em estar ao seu lado Essa é a fraqueza que me faz permitir. Sim! Permitir que me use de forma tão supérflua Que a carne sinta o prazer! Mas que seu coração continue a trancar-se por quem tu amas de verdade. O que mais me dói não é permitir! É saber que hora ou outra, irás partir de minha vida. Sabe-se lá quando e como. E mesmo que me digas que nunca usaria do meu amor pra satisfazer seus desejos. Sei que estou sendo usado! Pagas comigo o que sofreste no passado. Mas o que fazer se fui pego pelo cupido? Continuarei a deitar do seu lado É a única certez...
Em 1805, o inventor Johann Nepomuk Mälzel apresentou ao mundo o Panharmonicon. Uma máquina monumental. Feita de foles, cilindros e precisão. Capaz de reproduzir o som de uma orquestra inteira. Beethoven, o gênio de sua época, não resistiu. Escreveu “A Vitória de Wellington” para ser executada ali — dentro de uma engrenagem. Hoje, vivemos um curioso déjà-vu. Substituímos a madeira pelo algoritmo. O ar pelo processamento de dados. A Inteligência Artificial é o nosso Panharmonicon moderno. E, como antes… a mesma pergunta ecoa: a tecnologia vai substituir o artista? Sempre que algo novo surge, há um intervalo de resistência. Um tempo de estranhamento. De defesa. Chamo isso de latência da rejeição coletiva. Tivemos medo do fonógrafo. Do sintetizador. Da própria gravação. E agora… daquilo que a IA é capaz de criar. Mas a história raramente aponta para substituição. Ela aponta para transformação. A tecnologia não inventa a música. Ela apenas amplia o alcance do s...
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