Entre Tempos #01 — Minha Fraqueza



Escrevi isso em 2009. 

 Reler essas palavras hoje é como encontrar uma versão minha que ainda não sabia tudo o que eu aprenderia depois. 

Ou talvez soubesse… e só não queria aceitar.

O que posso dizer das coisas que vejo?
Nada!

Sou um pedaço de mágoa indo à direção do abismo.
Sei que deitas ao meu lado para acabar com a solidão que te cerca.
Sei que sou apenas fuga para libertar suas vontades.
Mas meu coração se sente feliz em estar ao seu lado
Essa é a fraqueza que me faz permitir.
Sim! Permitir que me use de forma tão supérflua
Que a carne sinta o prazer!
Mas que seu coração continue a trancar-se
por quem tu amas de verdade.
O que mais me dói não é permitir!
É saber que hora ou outra, irás partir de minha vida.
Sabe-se lá quando e como.
E mesmo que me digas que nunca usaria do meu amor
pra satisfazer seus desejos.
Sei que estou sendo usado!
Pagas comigo o que sofreste no passado.
Mas o que fazer se fui pego pelo cupido?
Continuarei a deitar do seu lado
É a única certeza que tenho!
Sou fraco pra dizer Adeus!

Escrevi isso em um dos primeiros momentos desse blog.
Talvez em uma fase em que sentir era mais intenso do que entender.

Hoje, relendo…
eu não vejo apenas um texto.

Vejo alguém tentando se convencer de que sabia o que estava fazendo. 

“Sou um pedaço de mágoa indo à direção do abismo.”

Eu sabia.

Sabia que era fuga.
Sabia que era passageiro.
Sabia que não era amor inteiro.

E ainda assim… fiquei.

Existe um tipo de fraqueza que não vem da falta de consciência,
mas da incapacidade de ir embora.

Naquela época, eu achava que fraqueza era sentir demais.
Hoje, eu entendo que talvez fosse o contrário.

Era aceitar menos do que eu merecia…
e chamar isso de escolha.

“Sou fraco pra dizer adeus.”

Engraçado como algumas frases não envelhecem.

Elas apenas mudam de significado.

Hoje, eu não vejo mais fraqueza em dizer adeus.

Vejo coragem.

Coragem de não permanecer onde o coração precisa se diminuir para caber.

Coragem de não ser apenas o intervalo na história de alguém.

Coragem de não aceitar ser fuga…
quando se quer ser abrigo.

Algumas versões nossas amavam com intensidade.
Outras… aprendem a amar com limites.

E entre uma versão e outra,

a gente cresce.

Entre o que eu fui
e o que aprendi a não aceitar…

existe tempo.


(Texto original publicado em 2009)

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