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E se Cristo já tivesse voltado?

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## A ressurreição da misericórdia Há quem espere a volta de Cristo olhando para o céu. Há quem procure sinais, profecias e acontecimentos que anunciem sua chegada. Não questiono essa esperança. Tampouco pretendo discutir se sua volta será física, espiritual ou de alguma outra forma que nossa compreensão ainda não alcança. Mas, às vezes, me pergunto se, enquanto aguardamos sua presença, não estamos deixando de reconhecê-la. Talvez Cristo tenha passado por nós esta manhã. Talvez estivesse com fome, esperando por um prato de comida. Talvez estivesse sozinho, precisando de companhia. Talvez estivesse diante de nós, pedindo apenas um pouco de misericórdia. E nós, tão ocupados esperando sua volta, sequer percebemos sua presença. Não é difícil encontrar pessoas que proclamam o nome de Jesus. Ele está nos templos, nas músicas, nos discursos, nas redes sociais e até nos palanques políticos. Seu nome atravessou séculos, fronteiras e culturas. Mas será que a mesma coisa aconteceu com seus ensinam...

O que o espelho não mostra

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  Há quem passe a vida inteira diante de um espelho, admirando a própria imagem, sem jamais perceber que, atrás de si, o jardim virou ruína. O espelho é curioso. Ele nos devolve a imagem com uma fidelidade quase cruel. Mostra as marcas do tempo, os cabelos que embranquecem, as rugas que chegam sem pedir licença. Mas há algo que ele não mostra. O que deixamos para trás. Talvez por isso seja tão confortável permanecer diante dele. Ali, podemos ajustar a postura, ensaiar um sorriso, escolher o melhor ângulo. Podemos até acreditar na pessoa que vemos. Mas basta nos afastarmos um pouco para que outras coisas entrem no campo de visão. Um jardim abandonado. Uma porta fechada. Uma ruína. E então surge uma pergunta que nem sempre temos coragem de responder: O que fizemos enquanto estávamos tão ocupados olhando para nós mesmos? Vivemos tempos curiosos. Nunca tivemos tantos meios de observar o mundo. E, paradoxalmente, parecemos cada vez mais habilidosos em escolher aquilo que não queremos en...

Entre Tempos #02 — A vida é como é

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  Uma releitura, dez anos depois, sobre fé, tragédia e a urgência da misericórdia. Escrevi isso em 17 de setembro de 2016. Dois dias antes, o Brasil havia sido surpreendido pela morte do ator Domingos Montagner. Mas o que me levou a escrever não foi apenas a tragédia. Foi o que algumas pessoas decidiram fazer com ela. Dez anos depois, reencontro estas palavras. E algumas delas ainda me inquietam. A vida é como é Há mais ou menos uns quatro anos, deixei de me interessar pela TV aberta e pela TV a cabo. Hoje, prefiro on demand . Acho mais prático em um mundo em que o tempo urge. Precisamos otimizar nossas prioridades. Não acompanho, por fim, as telenovelas atuais e pouco me interesso por seus enredos. Não por descaso total, mas, como disse, porque me dedico a outras prioridades. O que me leva hoje a escrever este texto está correlacionado ao último acontecimento da semana que movimentou o Brasil. Uma tragédia para a família, um alerta para os brasileiros e uma realidade da vida. Morr...

Empatia a los Hermanos

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  Às vezes, a dor faz menos barulho do que deveria. Ela atravessa montanhas, derruba casas, silencia famílias inteiras... e, ainda assim, não atravessa a barreira da nossa rotina. Seguimos o dia, tomamos nosso café, reclamamos do trânsito e rolamos a tela do celular como se, logo ali, do outro lado do continente que chamamos de lar, não existissem vidas tentando recomeçar entre os escombros. Não escrevo para comparar tragédias. A dor não disputa espaço. Ela apenas existe. Mas me pergunto quando foi que aprendemos a olhar com tanta intensidade para o que acontece a milhares de quilômetros de nós e, ao mesmo tempo, nos acostumamos a desviar os olhos do sofrimento dos nossos próprios hermanos. Talvez a empatia também tenha fronteiras. Talvez ela seja guiada pelas manchetes, pelos algoritmos ou pelas conversas que escolhemos ter. Mas gosto de acreditar que ela pode ser maior do que tudo isso. Porque uma lágrima derramada em Caracas não pesa menos do que uma derramada em qualquer outro ...

O Amor Dói?

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  Há algum tempo venho me perguntando se o amor dói. Não o amor dos romances, apenas. Nem aquele que costuma habitar os poemas, as músicas e as fotografias emolduradas sobre os móveis da sala. Falo do amor em todas as suas formas. O amor que nasce entre amigos. O amor que une pais e filhos. O amor silencioso dos avós. O amor que escolhe permanecer. O amor que simplesmente se doa. E, quanto mais penso sobre isso, mais percebo que talvez a resposta seja sim. O amor dói. Mas não da maneira que imaginamos. Ele não dói porque seja falho. Não dói porque seja cruel. Não dói porque tenha vindo ao mundo para nos ferir. O amor dói porque nos torna vulneráveis. Quem ama entrega. Quem ama permite que outra vida encontre espaço dentro da sua. E, a partir desse instante, a alegria do outro também nos alegra. Mas sua dor também nos alcança. Talvez por isso um pai sofra ao ver um filho enfrentar suas batalhas. Talvez por isso uma mãe passe noites acordada por preocupações que ninguém vê. Talvez po...

Dia das Mães

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