Uma sociedade chamada humana
"Entre guerras, crenças e poder…ainda sabemos o que significa ser humano?"
Gritos de socorro.
Desespero no olhar das crianças.
Pavor espalhado por todos os lados.
Não.
Não é cena de filme.
Não é ficção.
É o mundo — agora.
Em pleno século XXI, ainda assistimos à repetição de uma história antiga, quase cansada, mas nunca superada: a guerra. Uma guerra que atravessa décadas… talvez séculos… talvez algo ainda mais profundo do que o próprio tempo consegue medir.
De um lado, vozes dizem:
“Estamos combatendo regimes autoritários.”
Do outro, respondem:
“Estamos sendo atacados pelo autoritarismo de um império.”
E então, o silêncio nos encara com uma pergunta incômoda:
em quem acreditar?
De que lado estamos?
E, mais importante… existe realmente um lado certo?
Às vezes, ao observar essas disputas, sinto como se estivéssemos presos em uma nova idade média — onde invasões ainda acontecem sob justificativas nobres. Antes, em nome de Deus. Hoje, em nome da democracia.
Mas o que é, de fato, democracia?
Quem define onde ela começa… e onde ela deve ser imposta?
A história, quando revisitamos com atenção, revela marcas difíceis de ignorar. Interferências, interesses, decisões tomadas longe daqueles que realmente vivem as consequências. Povos moldados por forças externas. Ressentimentos que atravessam gerações.
E então, o que vemos hoje talvez não seja apenas um conflito atual — mas o eco de escolhas feitas há muito tempo.
Pergunto-me:
quais interesses ainda se escondem por trás dessas guerras?
Quem realmente ganha… quando tudo ao redor se perde?
Mas, no fundo…
talvez essas perguntas nem sejam as mais importantes.
Porque, enquanto tentamos entender os jogos de poder, algo muito mais essencial continua sendo destruído.
A humanidade.
Volto ao início.
À imagem que não sai da minha mente:
crianças com medo.
famílias em ruínas.
olhos que já não sabem mais o que é paz.
A família — que deveria ser o primeiro espaço de cuidado, respeito e amor — tornou-se, em muitos lugares, apenas mais uma vítima do ódio.
E isso não começou agora.
Se recuarmos ainda mais na história — ou naquilo que usamos para explicá-la — encontramos dois irmãos: Caim e Abel.
Sangue do mesmo sangue.
E, ainda assim, separados pelo ódio.
Desde então, parece que repetimos o mesmo erro…
em escalas cada vez maiores.
Nações no lugar de famílias.
Guerras no lugar de conflitos pessoais.
Mas a raiz… continua a mesma.
E então, volto à pergunta:
de que lado estamos?
Do lado das disputas econômicas?
Dos interesses políticos?
Das narrativas religiosas?
Ou do lado de algo mais simples… e talvez mais difícil?
O amor ao próximo.
Não aquele amor discursado.
Não aquele que se veste de aparência.
Mas o amor primitivo.
Essencial.
Humano.
Talvez seja esse o maior paradoxo de todos:
vivemos em uma sociedade que se chama humana…
mas que, tantas vezes, esquece o que isso significa.
Que Deus tenha misericórdia de todos nós.
Porque, de uma forma ou de outra,
todos nós sentimos — direta ou indiretamente —
as consequências de um mundo movido pela ganância, pelo poder…
e pela ausência de humanidade.

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