Em 1805, o inventor Johann Nepomuk Mälzel apresentou ao mundo o Panharmonicon. Uma máquina monumental. Feita de foles, cilindros e precisão. Capaz de reproduzir o som de uma orquestra inteira. Beethoven, o gênio de sua época, não resistiu. Escreveu “A Vitória de Wellington” para ser executada ali — dentro de uma engrenagem. Hoje, vivemos um curioso déjà-vu. Substituímos a madeira pelo algoritmo. O ar pelo processamento de dados. A Inteligência Artificial é o nosso Panharmonicon moderno. E, como antes… a mesma pergunta ecoa: a tecnologia vai substituir o artista? Sempre que algo novo surge, há um intervalo de resistência. Um tempo de estranhamento. De defesa. Chamo isso de latência da rejeição coletiva. Tivemos medo do fonógrafo. Do sintetizador. Da própria gravação. E agora… daquilo que a IA é capaz de criar. Mas a história raramente aponta para substituição. Ela aponta para transformação. A tecnologia não inventa a música. Ela apenas amplia o alcance do s...
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