Depois de um hiato no tempo-espaço


 Existe um tipo de silêncio que não é ausência.

É apenas pausa.

Este espaço ficou em suspensão por quase dez anos.

Como se tivesse sido deixado em algum ponto do tempo,
aguardando o momento certo de ser retomado.

Não foi o fim.
Nem exatamente um abandono.

“Foi um hiato.”

Um intervalo onde a vida aconteceu em outros lugares,
em outras formas,
em outros caminhos que também precisavam ser vividos.

Ainda assim, escrever nunca deixou de existir em mim.

Mudou de formato.
De ritmo.
De intenção.

Criei outros espaços, experimentei outras versões,
mas este aqui… permaneceu.

Como uma coordenada antiga.
Como um ponto fixo dentro de mim.

Voltar agora não é recomeçar.
É atravessar esse intervalo e continuar.

Continuar com tudo o que fui,
com tudo o que vivi,
e com tudo o que ainda estou tentando entender.

Talvez hoje eu escreva com mais silêncio.
Talvez com mais cuidado.
Talvez com mais verdade.

Este blog nunca foi apenas um lugar de textos.

Sempre foi um espaço entre.

Entre o que eu vivo
e o que eu escrevo.

E depois de um hiato no tempo-espaço…

eu retorno.

Não com pressa.
Não com certezas.
Mas com presença.

Entre vírgulas, eu permaneci.
Entre pontos, eu continuo.

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